Depois de termos o layout definido e o chão preparado e isolado, chegou a altura de avançar com uma etapa bastante importante na transformação da carrinha: o isolamento térmico e o revestimento interior.
Como em toda a transformação, quisemos que o processo fosse simples e sustentável, e nesta fase, conseguimos poupar bastante ao re-aproveitar o material para o revestimento.
A escolha do isolamento
Antes de avançarmos com a aplicação, fizemos muita pesquisa para escolher o tipo de isolamento que queríamos usar. Há muitas opções disponíveis — lã de rocha, espuma de poliuretano, XPS, lã de ovelha — mas estávamos à procura de algo que fosse mais ecológico, fácil de aplicar e seguro para usar num espaço tão pequeno como o interior de uma van.
Acabámos por escolher um isolamento feito quase a 100% de plástico reciclado, daquelas garrafas PET. É uma lã reciclável, leve, fácil de cortar à mão, e que não precisa necessariamente de máscara ou luvas para ser aplicada, embora, caso tenhas alergias aconselhamos a usar uma máscara.
Este tipo de isolamento deu-nos confiança por ser não só eficaz, mas também mais seguro em termos de saúde a longo prazo. Como não utilizámos barreira de vapor nem colámos o isolamento à chapa, conseguimos garantir alguma circulação de ar e reduzir o risco de condensação.
Aplicação do isolamento
Começámos por desmontar tudo o que faltava no teto e laterais, deixando a chapa completamente à vista, e terminámos de limpar tudo muito bem para não ficar nenhuma superfície engordurada.
A aplicação do isolamento foi surpreendentemente rápida. Como o material é muito maleável, conseguimos encaixá-lo facilmente em todas as curvas e cantos da carrinha — mesmo nas zonas mais difíceis. Cortava-se com as mãos, expandia-se bem e adaptava-se a cada espaço sem necessidade de colas nem ferramentas especiais. Em pouco tempo, tínhamos praticamente toda a estrutura isolada!
O teto foi a parte mais desafiante, e só conseguimos isolar à medida que íamos fixando o revestimento, mas com paciência e algumas manobras engenhosas, conseguimos isolar tudo.
Estrutura de apoio ao revestimento
Com o isolamento aplicado, o passo seguinte foi criar a estrutura onde íamos fixar o revestimento. Usámos ripas de madeira, que aparafusámos diretamente à estrutura da carrinha.
Lixámos e envernizámos todas as ripas com um verniz próprio para humidade, garantindo maior durabilidade e resistência ao longo do tempo.
Revestimento em lambril de madeira reutilizado
Desde o início que queríamos usar madeira para o revestimento interior — não só pelo aspeto acolhedor, mas também porque acaba por ser uma camada extra de isolamento, uma vez que a madeira é mais aconchegante e acaba por isolar um pouco mais que outros materiais. E como tínhamos acesso a lambril de madeira de uma remodelação, decidimos dar-lhe uma nova vida.
Esta escolha implicou algum trabalho extra, uma vez que tivemos de escolher bem as tábuas, descartar as partes que já estavam estragadas, limpá-las bem, e depois lixar todas as peças para retirar o verniz velho, para depois voltar a pintar e envernizar, mas o resultado compensou todo o esforço, principalmente porque poupámos bastante dinheiro nesta fase.
Depois chegou a altura de fazer os moldes e cortar as peças de lambril para começar então a revestir as paredes. Aproveitámos para utilizar como molde as peças que já vinham originais da carrinha e facilitou muito o nosso trabalho, deixando um acabamento perfeito. Nas zonas que não tínhamos as peças originais, utilizámos cartão.
Com as peças todas cortadas à medida foi altura de começar a pintar. Um trabalho que demorou muito mais tempo do que o esperado. Para proteger mais o lambril, acabámos por também envernizar, com o mesmo verniz anti-humidade, as laterais que iam ficar escondidas, e em contato com a chapa ou isolamento.
Depois decidimos pintar o lambril de branco, decisão que nos levou muito mais tempo do que o esperado, uma vez que pintámos as peças uma a uma, dando várias de mãos e só depois aplicámos na carrinha.
Fomos aplicando o lambril por zonas, começando pelas portas, depois as laterais e, mais tarde, o teto. Aos poucos, a carrinha foi ganhando forma e começámos finalmente a sentir que o espaço estava a transformar-se num verdadeiro lar sobre rodas.
A importância das escolhas
Neste processo, cada escolha foi pensada com cuidado. Queríamos materiais um pouco mais sustentáveis, por isso a escolha do isolamento, e tivemos muita sorte em conseguir o lambril gratuitamente, apesar do trabalho extra.
A verdade é que não existe um único “caminho certo” para isolar e revestir uma carrinha. O mais importante é encontrar um equilíbrio entre os recursos disponíveis, o conforto desejado e as necessidades específicas de cada projeto.
Se quiseres ver como foi todo este processo na prática, deixamos aqui os vídeos onde mostramos todos os passos da aplicação do isolamento e do revestimento em madeira. E se tiveres dúvidas, partilha nos comentários — teremos todo o gosto em ajudar!



